Hidroponia floating: após um ano em execução no Brasil, técnica se confirma mais produtiva, sustentável e lucrativa

Verdureira produz 45 toneladas de hortaliças por mês com a técnica. Método de cultivo em piscinas tem produtividade 12,5 vezes maior que em solo, com economia de 96% de água.

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Em um país onde a agricultura desempenha um papel central na economia, uma revolução silenciosa no cultivo de hortaliças está em andamento. Há um ano, a Verdureira (verdureira.com.br), já conhecida por ser a primeira empresa a oferecer saladas prontas para consumo no Brasil, se tornou a responsável por trazer para o país a técnica de hidroponia floating. Também chamada de DWC (Deep Water Culture), a técnica já bastante difundida na Europa, cultiva hortaliças em piscinas. Ao inovar, a Verdureira alavancou seu crescimento, que foi de 50% em 2023 em comparação ao ano anterior.

Com 16 piscinas em operação — onde as folhosas ficam com as raízes submersas em uma solução formada por água e nutrientes, enquanto flutuam — a expectativa inicial era de produzir 39 toneladas de hortaliças por mês a partir do floating, o que foi superada e chegou à marca de 45,7 toneladas. O floating se mostrou mais rentável e eficiente, com produtividade 12,5 vezes maior que no cultivo em solo e com economia de 96% de água quando comparada ao método tradicional. A estimativa anterior era uma economia superior a 90% que se confirmou, se tornando uma opção ainda mais sustentável.

"Essa história começou em 2021, quando demos início aos testes para implementar o floating. Foi necessário muito estudo e testes, além de reajustes no percurso, mas vimos nessa inovação o caminho para que a Verdureira crescesse de maneira consistente. Os resultados foram além do que esperávamos. Com mais conhecimento e tempo operando as piscinas, vemos que foi a escolha certa, uma vez que produzimos mais, com menos, em um processo otimizado e eficiente com qualidade incomparável no resultado final das hortaliças", revela Ari Rocha, CEO da Verdureira.

Além do floating, a Verdureira também utiliza a técnica de hidroponia NFT (Nutrient Film Technique), onde as raízes recebem água em perfis hidropônicos. Hoje, suas fazendas funcionam em plena capacidade produtiva com 76 toneladas de hortaliças produzidas por mês, sendo 45,7 por meio do método floating, e 30,3 toneladas com a técnica de hidroponia NFT.

Ao dominar as duas técnicas, a agroindústria é capaz de comparar também a eficiência entre elas. No que diz respeito ao peso das hortaliças, a Verdureira notou que há um rendimento 40% maior nas folhosas cultivadas via floating do que na hidroponia feita em perfis. A necessidade de uso de fertilizantes também é 20% menor do floating que no NFT. Além disso, o cultivo em piscinas requer apenas 33% da mão de obra utilizada na hidroponia tradicional.

"Fizemos uma profunda análise de dados desse último ano de produção e é possível afirmar que o floating traz resultados mais positivos no que diz respeito à produtividade e otimização de recursos, além de um manejo mais eficiente. Ainda assim, não temos planos de usar exclusivamente o cultivo em piscinas, uma vez que algumas hortaliças respondem melhor a determinado tipo de técnica e é uma vantagem comercial podermos escolher. Como temos uma ampla variedade de folhosas, direcionamos o que é mais interessante para cada técnica hidropônica", explica o diretor de operações da Verdureira, Marco Wunderlich, que é especialista em cultivo protegido.

Ao escolher implementar o novo modelo, a marca tem conseguido suprir a demanda do mercado, evitar crises de abastecimento e expandir. Lucas Regis, sócio da Verdureira, destaca que o aumento da produção permitiu alcançar ainda mais pontos de venda. "Apenas no primeiro semestre de 2024, saímos de 250 para 350 estabelecimentos comercializando nossos produtos. Além de estar em mais pontos de venda, os consumidores, cada vez mais exigentes, percebem a qualidade do produto e dão preferência", completa.

Localizada em São Roque (SP), a 60 km da capital paulista, a Verdureira está instalada em duas fazendas periurbanas, com um total de 1,5 hectare, e fornece atualmente três linhas de produtos – Insalata Prima, Cucina Prima e Ver O Verde. A localização estratégica permite uma rápida logística que, junto a tecnologia de ponta, garante a entrega dos itens em até 24 horas após a colheita, preservando o frescor e minimizando o desperdício. No que diz respeito a esse assunto, inclusive, a empresa já reduziu 38,4% do desperdício de alimentos em toda a sua cadeia produtiva.

Tecnologia e economia de água em meio à crise global

Uma das vantagens da técnica de cultivo floating da Verdureira é sua eficiência no uso da água. Com a crise global de escassez de água se intensificando, e algumas regiões do Brasil também sofrendo com a falta de recursos hídricos, essa técnica permite aos agricultores reduzir o consumo de água em 96%, em comparação ao cultivo tradicional em solo. Essa drástica redução é possível graças ao uso de nanobolhas e ao sistema de circuito fechado utilizado no cultivo, onde a água é recirculada dentro das piscinas, o que permite a oxigenação ideal da água, minimizando a evaporação e o desperdício.

O Brasil tem historicamente enfrentado desafios com a disponibilidade de água, especialmente em suas principais regiões agrícolas, o que torna a solução da Verdureira ainda mais relevante. A bem-sucedida empreitada do floating realizada pela empresa também reforça uma tendência global mais ampla: a integração de tecnologia e sustentabilidade na agricultura. À medida que as mudanças climáticas e o crescimento populacional aumentam a pressão sobre os sistemas alimentares em todo o mundo, inovações como o floating se tornarão essenciais para alimentar o planeta sem esgotar seus recursos.

Inovação que vem da necessidade

As inovações na Verdureira partiram da necessidade, em prol do crescimento da empresa. Há quatro anos, a Verdureira deixou de apenas comercializar hortaliças e legumes e se tornou uma agroindústria. Ao internalizar os processos produtivos e introduzir a hidroponia como forma de cultivo das hortaliças, a marca cresceu e atraiu investimentos. Mas, os sócios entenderam que era preciso continuar inovando em busca de mais produtividade, devido à fragilidade da cadeia produtiva e as crises de abastecimento, e apostaram no floating.

Os testes foram realizados em uma primeira piscina, de 54 mil litros, construída em 2021 exatamente para esse fim. Diante dos desafios, viram a necessidade de aprofundar mais no processo e, após benchmarks especializados, incluindo uma viagem à Holanda em 2022, introduziram novas técnicas e práticas, além de conceber as máquinas e tecnologias empregadas para o cultivo.

Em 2023, tudo foi aprimorado até a Verdureira chegar ao modelo ideal. Cada detalhe foi levado em consideração, as placas flutuantes com espessura, materiais e bolsões foram moldadas pela empresa, até mesmo a cor das lonas utilizadas no procedimento é capaz de impactar o resultado e percebeu-se a importância de manter o nível de oxigenação na solução nutritiva. Para isso foi desenvolvida de forma inédita uma estação de tratamento de água que mantém a solução nutritiva sempre balanceada.

A peça que faltava para o sucesso da empreitada foi descobrir como injetar oxigênio na solução utilizando nanobolhas no processo. Tudo mudou quando a Verdureira conheceu Oliver Povareskim, da Nanobiologic, que embora não utilizasse nanobolhas para esse fim, estava disposto a desenvolver e testar. São essas nanobolhas de oxigênio que favorecem a saúde da solução nutritiva para o floating da Verdureira. Dessa forma, além de promover o ambiente propício para o crescimento das hortaliças, não é necessário desperdiçar água na troca da solução nutritiva.

Cuidado da fazenda à mesa

Nas fazendas da Verdureira, após a colheita, a seleção das hortaliças é feita de maneira artesanal, o que leva ainda mais qualidade para a mesa do consumidor. As folhas são higienizadas minuciosamente e embaladas por meio de tecnologia de atmosfera modificada, capaz de preservar os nutrientes e frescor dos alimentos, sem a necessidade de conservantes. Dessa forma, o consumidor tem a praticidade de encontrar folhosas já prontas para consumo com o sabor e o crocância de hortaliças que deseja.

Para dar ao consumidor a garantia de origem, a Verdureira desenvolveu um sistema de rastreabilidade das hortaliças, acessível pelo QR Code impresso em cada embalagem, que informa sobre o processo de produção e a validade do alimento. O sistema atende a todas as exigências do Ministério da Agricultura e visa assegurar o consumidor de que o produto que está sendo levado para casa é de alta qualidade.


 

Sobre a Verdureira – Fundada há 29 anos, a Verdureira é a primeira empresa brasileira a entregar saladas gourmet prontas para consumo. Com uma fazenda periurbana localizada em São Roque (SP), a menos de 60 km da capital paulista, sua produção chega aos mercados em até 24 horas após a colheita, mantendo o frescor dos alimentos e diminuindo o desperdício. Hoje, a Verdureira tem três linhas de produtos: Insalata Prima (folhas), Cucina Prima (legumes) e Ver O Verde (saladas), todos prontos para consumo, entregues em 350 estabelecimentos de São Paulo e Região Metropolitana, Campinas, Sorocaba e cidades no entorno. Em 2023, a empresa foi investida pela Baraúna Investimentos com um aporte de R$ 10,3 milhões e foi a primeira agroindústria a implementar a técnica de hidroponia floating em larga escala no país. Saiba mais em verdureira.com.br.


Fonte: Maya PR