Assessor da Agricultura defende ampliar recursos do seguro rural

O assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Ernesto Augustin, defendeu mudanças no seguro rural e a criação de fundos com a contribuição sobre a comercialização de produtos agrícolas para financiar a pesquisa agropecuária no Brasil. Na abertura do evento "Vozes do Agro", realizado pela Globo Rural em Goiânia nesta terça-feira (2/12), ele disse que o Brasil continuará como celeiro do mundo, mas que precisa investir na proteção da produção e na promoção comercial ao redor do mundo. +Leia mais opiniões das Vozes do Agro "Estamos diante de uma nova realidade que são as mudanças climáticas. Nós temos um seguro rural ruim, sou do Ministério da Agricultura, mas tenho que me humilhar e admitir isso. Temos que repensar o seguro rural e o crédito rural. Será que não estamos fazendo crédito demais e seguro de menos", apontou. Initial plugin text No Brasil, o orçamento anual do seguro rural ficou em torno de R$ 1 bilhão nos últimos anos, sem considerar os cortes e bloqueios. Neste ano, R$ 355 milhões seguem indisponíveis. Enquanto isso, o custo para equalizar juros do Plano Safra 2025/26, dividido ao longo de vários anos, é de R$ 13,4 bilhões. A verba anual específica para essa área gira em torno de R$ 15 bilhões. Augustin ressaltou que é preciso se precaver de novas catástrofes climáticas. "O Rio Grande do Sul está aí para mostrar. E pode acontecer catástrofe climática no Centro-Oeste, em Goiás, em Mato Grosso. Por que não? E não temos seguro adequado para isso", completou. O assessor especial, que também é presidente do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), defendeu a criação de fundos específicos, alimentados por recursos descontados da comercialização da produção nacional, para fomentar a pesquisa no setor e a promoção comercial. Ele citou os exemplos dos Estados Unidos e Austrália, onde esses mecanismos já existem e são chamados de "check-offs". "Os EUA e Austrália têm check-offs, que recolhem 0,5% dos produtores, das notas fiscais da comercialização. Eles reservam dinheiro para fazer pesquisa agrícola e promoção internacional", relatou. Segundo ele, a promoção comercial do agronegócio é feita pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com orçamento anual de R$ 500 milhões, cuja aplicação não é exclusiva para ações no setor agropecuário. "Não chega aos pés dos EUA. Se vamos continuar sendo maior produtor e exportador, precisamos ter promoção comercial melhor. Fica a ideia de fazer check-off", apontou. Augustin também defendeu que o setor consiga capitalizar as adicionalidades ambientais e sustentáveis da produção. "Nós brasileiros não devemos ser grandes produtores de microchips, nem de nave espacial, nem coisa mirabolante nos próximos anos. Vamos continuar sendo exímios produtores agrícolas, para que isso aconteça temos que seguir condicionantes no mundo, que é a sustentabilidade, e já somos o melhor nisso, mas precisamos provar e mostrar", afirmou. Ele voltou a citar o programa de recuperação de pastagens degradadas, criado no fim de 2023. Segundo ele, os recursos captados pelo leilão do Ecoinvest começarão a ser desembolsados em 2026 com juros entre 8% e 12%. "Agora já temos um movimento funcionando, a partir do ano que vem serão R$ 30 bilhões para fazer em 10 anos recuperação de pasto degradado, com juro barato", disse no evento. Augustin informou que tem articulado com o Banco Mundial o repasse de recursos para financiamento de construção e ampliação de armazéns, com um "juro muito especial". A ideia é atrelar a operação à variação cambial, condicionando a cobrança ao custo de dólar mais 4% ao ano. "Acho que vamos conseguir rapidamente", afirmou.

