Salvaguardas limitam impacto do acordo UE-Mercosul para o agro do Brasil, diz especialista

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, aprovado nesta sexta-feira (09/01) pelo bloco europeu, pode ter impacto limitado para o agronegócio brasileiro, mas grande relevância geopolítica e institucional para o país. A avaliação é do coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank. O impacto limitado, segundo ele, deve-se à adoção de salvaguardas, mecanismo que pode anular o efeito das cotas caso haja aumento relevante do comércio. "Na área da agricultura, é um desastre", afirmou ao Valor, ao destacar que a carne bovina importada representa apenas uma parcela pequena do mercado europeu, majoritariamente abastecido pela produção interna do bloco. "Na pauta agrícola, o ganho (com o acordo) é ínfimo", analisa Jank. A grande vantagem do acordo, segundo ele, é que o fato de estar integrado com a Europa fortalece a posição do Brasil no mundo. "É melhor do que não ter nenhum 'amigo'. Pelo menos nós temos agora um 'amigo' grande, que para alguns setores daqui não é grande coisa, mas que pode nos ajudar nesse mundo agora, que é um mundo tão fragmentado", resumiu. Leia também Por que agricultores da União Europeia são contra o acordo com o Mercosul? ApexBrasil estima aumento de US$ 7 bilhões em vendas à União Europeia Parte comercial do acordo UE-Mercosul deve entrar em vigor imediatamente Sobre os setores do agro que mais têm a ganhar, o especialista afirma que, em um acordo entre dois blocos econômicos, "os dois lados ganham". "Agora, se você for olhar em termos de setores no comércio de bens, eu acho que a gente vai ganhar, principalmente, naquilo que a gente já exporta hoje, que são produtos mais 'comoditizados' da agricultura, da mineração, petróleo, etc", observa. Na avaliação de Jank, a pauta Mercosul-Europa poderia ser muito maior do que é hoje, e isso vai acontecer à medida que o acordo for sendo implementado, o que deve levar alguns anos.


