Inpasa e FS embarcam as primeiras cargas de DDGS do Brasil para a China

Inpasa e FS embarcam as primeiras cargas de DDGS do Brasil para a China
Publicidade (AS)
Publicidade (AS)

O Brasil vai exportar nos próximos dias as duas primeiras cargas de DDG (sigla para Dried Distilled Grain, ou grãos secos de destilaria), resultante do processamento do milho, para a China, no total de 65 mil toneladas. O mercado chinês foi formalmente aberto em maio do ano passado, mas até então não havia negócios concretizados. Uma carga de 62,5 mil toneladas de DDGS (DDG com solúveis) será embarcada pela Inpasa pelo porto de Imbituba (SC). A operação de carregamento deverá começar no próximo domingo (8). A empresa não informou o valor da venda. O segundo carregamento será de 3 mil toneladas de DDG de alta proteína (HPDDG) e será feito pela FS pelo porto de Santos, com previsão de início das operações também nos próximos dias. A companhia também não informou o valor do negócio. Leia também: Usinas de etanol de trigo criam nova demanda para cereal no RS Inpasa fará investimento de R$ 3,5 bi em etanol de milho em MT Os carregamentos para a China são os primeiros em um ano em que o país logo deve ganhar protagonismo nas exportações brasileiras de DDG. A Inpasa já tem contratos para embarcar mais 250 mil toneladas de seu DDGS para o país asiático. Ao Valor, Renato Zicardi, diretor de Trading Internacional da Inpasa, disse que a China poderá representar neste ano 50% de suas exportações de DDGS, que devem se aproximar de 1,5 milhão de toneladas. Caso este volume se confirme, deve representar cerca de 40% da produção de DDGS esperada pela empresa para este ano, em torno de 3,3 milhões de toneladas. Em 2025, a Inpasa exportou pouco mais de 800 mil toneladas de DDGS, para países como Espanha, Turquia, Vietnã, Indonésia e Arábia Saudita. Para este ano, a expectativa da empresa é começar a exportar não só para China, mas também para novos mercados novos, segundo Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da Inpasa. “É um mercado muito promissor”, assegurou. Segundo Zicardi, além dos novos mercados, a Inpasa também deve voltar a vender DDGS para os clientes com quem já fez negócio antes. Isso se deve ao perfil do produto, que é melhor digerido pelos animais por ser solúvel — diferentemente do DDG produzido nos Estados Unidos, que em geral não é solúvel. “Quando o produtor percebe a qualidade do nosso produto, [o DDGS] começa a ter relevância na composição das rações”, disse. No Brasil, a Inpasa vende seu DDGS para clientes da pecuária de corte, como confinamentos, da pecuária leiteira, e para criações de suínos. A FS também espera um salto em suas exportações de DDGS neste ano safra 2025/26. Sua projeção é de que o volume a ser embarcado nesta temporada cresça 180% em relação à safra 2024/25, com destaque para Indonésia e Vietnã. A empresa exporta para destinos na Ásia, América Latina e Europa. Segundo a companhia, seu DDG tem alta densidade proteica e maior valor agregado. A entrada da China como um player comprador de DDG é vista no mercado como um “alívio” para o balanço entre oferta e demanda no país, já que a forte expansão dos investimentos em etanol de milho provocou um crescimento expressivo na oferta interna do coproduto. Durante o ano passado, os preços do DDG ficaram relativamente estáveis, segundo dados da Scot Consultoria compilados pelo adido agrícola americano Thiemi Hayashi. Em relatório de janeiro, o adido afirmou que, se se confirmar a expansão das exportações de DDG para a China neste ano, “há potencial para preços de DDG mais sustentados e possivelmente condições compradoras menos favoráveis para produtores da pecuária comparado a 2025”. A entrada do DDG do Brasil no mercado chinês fará frente aos Estados Unidos, que hoje são praticamente os únicos fornecedores do produto para a China. O Brasil começou a exportar DDG em 2022, e em 2025 o volume embarcado chegou a 880 mil toneladas. Na safra 2024/25, a produção total de DDG no país foi de 4,2 milhões de toneladas — ainda não há dados sobre a safra atual, que termina em março.