Seleon Biotecnologia inaugura em janeiro central de coleta e processamento de sêmen equino

A Seleon Biotecnologia, de Itatinga (SP), inaugura entre o fim de janeiro e início de fevereiro uma central de coleta e processamento de sêmen voltada à industrialização de genética equina. A empresa pretende transferir para o setor o conhecimento que acumula há dez anos no manejo de sêmen bovino. Leia também: Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bilhões e emprega mais de 160 mil trabalhadores Cavalos feitos em laboratório: centro de fertilização in vitro de equinos abre no RS A companhia investiu R$ 10 milhões na instalação da unidade, que vai oferecer serviços de alojamento, coleta e manutenção de doses de sêmen congeladas. A produção estimada é de 360 mil doses por ano quando atingir a capacidade máxima de operação. Localizado em Itatinga, em uma fazenda de 250 hectares, a Seleon Equinos ocupa uma área de três hectares, restrita por telas, para garantir a proteção sanitária. "A ideia é que seja um lugar protegido, com proteção sanitária, controle de acesso, redução de estresse e melhora na qualidade para o animal", afirmou Bruno Grubisich, diretor-presidente da Seleon. O projeto foi inspirado em grandes centros dos Estados Unidos, Europa e Arábia Saudita, segundo o executivo. Grubisich observou que o Brasil hoje é o quarto maior mercado de equinos do mundo, com um rebanho de cerca de 5,8 milhões de cabeças. E há demanda por centrais de coleta e processamento de sêmen de alta qualidade que abranja todas as raças. Hoje, a maior central do mercado brasileiro é o Rancho das Américas, que é especializado em cavalos quarto-de-milha. As outras centrais têm porte menor, abrigando entre dez e 15 garanhões. A Seleon Equinos pretende atender garanhões de todas as raças de equinos, de criadores nacionais e estrangeiros. A Seleon Equinos terá capacidade para alojar 30 garanhões em tempo integral. A unidade também contará com espaço de quarentena para animais importados. Segundo o diretor-presidente, desde o anúncio do negócio, em março de 2025, a Seleon tem recebido pedidos de reserva de vagas, principalmente de clientes dos Estados Unidos e Qatar, interessados em deixar os garanhões em quarentena para a coleta e processamento de sêmen. "A expectativa é começar já com a procura bastante alta", afirmou. O executivo não divulgou previsão de faturamento, apenas disse que espera retorno do investimento em até três anos. Escolha de sexo do potro e blockchain Um dos diferenciais oferecidos na unidade, segundo o executivo, é a tecnologia de sêmen sexado, que permite escolher previamente o sexo do potro, uma tecnologia que ainda não é oferecida no país. Grubisich também ressaltou o uso da tecnologia blockchain para trazer mais segurança ao processo de rastreabilidade do material genético, registrando cada etapa do processo, desde a coleta até a entrega do material. Cada dose de sêmen vai ter um token com dados sobre dia da coleta, quem fez o trabalho, local do estoque, número de doses. O criador vai ter uma carteira virtual que poderá acessar e controlar seus tokens. "O criador vai vender o token e saber qual potro foi gerado com aquele material genético, vai saber quantos potros foram gerados por esses garanhões", disse o executivo. O laboratório também oferece serviços de inseminação artificial e produção de embriões. O laboratório usa equipamentos como o computador de análise assistida de esperma e microscopia de fluorescência, que analisam a qualidade do sêmen, desde a integridade da membrana plasmática até a motilidade dos espermatozoides. O processo de congelamento usa diluidores e curvas de congelamento ajustadas às características de cada garanhão, garantindo máxima viabilidade e fertilidade. Cuidados anti-estresse Uma das preocupações da companhia foi adotar medidas para evitar o estresse dos garanhões, o que interfere diretamente na qualidade do sêmen. Os garanhões serão alojados em baias individuais, com sistema de ventilação cruzada, controle de temperatura, ventiladores e nebulização, minimizando o estresse térmico e risco de doenças respiratórias. A estrutura permite que os animais interajam visualmente, e possui ambiente externo para tomar sol, pista para passeios. Os sistemas de manejo incluem rodador elétrico para exercícios regulares e controlados, baias almofadadas que garantem descanso confortável e prevenção de lesões. A estrutura conta com enfermaria equipada para monitoramento constante, cuidados emergenciais e área de quarentena para cavalos de outras nacionalidades. Cada animal receberá um plano de alimentação e cuidados individualizados, com profissionais especializados em nutrição equina e veterinários experientes. O sistema de hidratação possui bebedouros com capacidade para sete litros, fornecendo água limpa em temperatura ideal em cada baia. O abastecimento é feito com água de poços semiartesianos, armazenada em reservatórios com capacidade para 50 mil litros.