Acordo entre Mercosul e União Europeia abre oportunidades para feijão do Brasil

A aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, nesta sexta-feira (9/1), abre oportunidades para o feijão brasileiro ganhar mercado no Velho Continente. A avaliação é de Marcelo Luders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe). Ele explica que, nos últimos anos, o Brasil apostou no desenvolvimento em variedades que têm boa aceitação no mercado europeu. Alguns desses feijões eram, anteriormente, importados, e, passaram a ser produzidos no país. “Agora, mais do que nunca, essas variedades são interessantes no mercado europeu. Tem um mercado na Europa bastante interessante, e a gente tinha barreiras tarifárias. Com o acordo, saem essas barreiras”, ressalta, à reportagem. Em sua visão, o Brasil tem que divulgar melhor a sua produção de feijão, especialmente quando associada a critérios de sustentabilidade, como uso de produtos biológicos e de técnicas de agricultura regenerativa. “É bem promisso, neste momento, o que vemos de possibilidade na Europa. Levando em consideração também que a Europa está aumentando seu consumo de feijão. Há uma possibilidade muito boa de trabalhar a União Europeia”, acrescenta Luders. Venezuela é fator de risco De outro lado, Marcelo Luders avalia que a situação política na Venezuela, depois da operação militar os Estados Unidos no país, pode levar à exclusão do Brasil como fornecedor de feijão-preto para o país. Em comunicado, ele afirma que existe a possibilidade de os americanos utilizarem de sua influência para pressionar por acordos na área agrícola. E, desta forma, estimular a compra dos seus grãos, em detrimento de outros fornecedores. Entre 2020 e 2023, os embarques tiveram mínima de 1,35 mil toneladas (2020) e pico de 5,58 mil (2021). Em 2024, no entanto, saltaram para 39,67 mil toneladas, caindo para 16,56 mil em 2025. O feijão-preto responde por praticamente todo o volume de feijões secos que os exportadores brasileiros embarcam para o mercado venezuelano, informa o executivo. Exportação de feijão à Venezuela Globo Rural Marcelo Luders explica que, nos dois últimos anos, o Brasil soube aproveitar a sua eficiência produtiva e competitividade. Os preços médios de exportação, em torno de US$ 700 por tonelada estão em patamares competitivos. Mas a forma como os Estados Unidos sinalizaram ver a Venezuela depois da deposição de Nicolas Maduro é um fator de risco. "Estamos vendo a transição da competitividade de preço para a competitividade política. O nosso Feijão-preto é mais barato e está mais perto, mas a força dos acordos bilaterais entre Washington e Caracas pode levantar barreiras artificiais ao produto brasileiro", afirma. Initial plugin text O presidente do Ibrafe explica que uma eventual perda do mercado venezuelano seria prejudicial a produtores do Sul do Brasil e de Roraima, que, segundo ele, organizaram sua logística para atender o país vizinho. E a formação de um excedente no mercado interno tende a pressionar os preços e desestimular o plantio do grão. “A recomendação do Ibrafe é extrema cautela no plantio da segunda safra de feijão-preto no Paraná”, informa a instituição que reúne a cadeia produtiva do feijão. No comunicado, o Instituto cobra uma “resposta diplomática” para garantir o espaço do feijão brasileiro no país. E para evitar que uma eventual adoção, por parte dos Estados Unidos, de uma política comercial mais “agressiva” se espalhe para outros países da América Latina.