O que explica a derrocada nos preços do cacau em janeiro

O que explica a derrocada nos preços do cacau em janeiro
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A segunda quinzena de janeiro foi marcada por uma forte queda nos preços do cacau na bolsa de Nova York, que cada vez mais se afasta dos patamares recordes vistos em 2024. Nesta sexta-feira (23/1), ao registrar baixa de 6% em Nova York, o preço da amêndoa acumulou perdas de 17% somente nesta semana. No mercado internacional, o cacau já é negociado a USS 4.201 a tonelada. Há um ano, o valor era de US$ 11.593 a tonelada. De lá para cá o que mudou foi principalmente a percepção de uma oferta maior na principal região produtora, o oeste da África. Após a recuperação da safra, analistas esperavam que a alta nos preços no passado de alguma forma diminuísse a demanda, fato que se consolidou nos dados divulgados semana passada. A Associação Europeia do Cacau disse que houve queda de 8,3% na moagem do quarto trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. A Europa é a principal região consumidora de cacau, servindo de termômetro para a demanda. “As importações líquidas de amêndoas de cacau recuaram 5,6% na Europa em 2025. Ao olhar especificamente para o quarto trimestre, a queda foi de 8,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, após uma alta de 6,4% no trimestre precedente”, afirma, em nota, Carolina França, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets. Ainda nesta semana, o mercado se deparou com a notícia de que a Costa do Marfim – líder na produção global de cacau – estaria com muitos produtores querendo negociar a safra com órgãos reguladores, mas estariam com dificuldade de encontrar comprador. Estoques globais Por fim, outro dado que ajudou a derrubar as cotações foi revelado pela Organização Internacional do Cacau (ICCO). A entidade disse que os estoques globais da amêndoa na safra 2024/25 aumentaram 4,2% em relação ao ano anterior, atingindo 1,1 milhão de toneladas, indicando que o preço pode cair ainda mais. “O mercado segue com viés baixista, sustentado pelos sinais de enfraquecimento da demanda nas principais regiões processadoras e pela perspectiva de melhores resultados de produção para o ciclo 2025/26. Em linha com esse ambiente, os fundos de investimento indicam aumento das posições líquidas vendidas [aposta na queda dos preços] em Nova York e Londres, refletindo um mercado que segue operando com cautela”, destacou a analista da Hedgepoint.