Credores aprovam plano de recuperação judicial do Grupo Portal Agro

Credores aprovam plano de recuperação judicial do Grupo Portal Agro
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Os credores do Grupo Portal Agro aprovaram em assembleia, nesta terça-feira (2/2), o plano de recuperação judicial da companhia, que contabiliza cerca de R$ 700 milhões em dívidas. O grupo é formado por empresas e produtores rurais com atuação em plantio e cultivo de grãos, pecuária, revenda de insumos e armazenagem de grãos, com sede em Paragominas (PA). Com a aprovação, o grupo aguarda agora a homologação judicial, etapa que permitirá o início da execução das medidas de reestruturação previstas. “O plano aprovado permite ao Grupo Portal Agro reequilibrar seu fluxo financeiro, reorganizar seu endividamento e criar bases sólidas para a retomada sustentável da operação”, disse em nota o assessor financeiro do Portal Agro pela X2W Consulting & Partners, Wilson Rossi. O pedido de recuperação judicial foi feito pela companhia em setembro de 2024. A alta dos preços de insumos e queda nos preços das commodities agrícolas foram apontadas como principais causas da crise financeira. A companhia detinha, em conjunto com a securitizadora Ceres, três Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) no valor total de R$ 122 milhões. Quando o pedido de recuperação judicial foi feito, um desses títulos de dívida, de R$ 38,5 milhões, correspondia a 7,2% do patrimônio líquido do Galápagos Recebíveis do Agronegócio, Fiagro da Gestora Galápagos com pouco mais de oito mil cotistas. Os três maiores devedores do Grupo Portal Agro são as securitizadoras Ceres e Opea, além do Fiagro-FIDC Portal Insumos, voltado para investidores qualificados e gerido pela Milênio Capital Gestão de Investimentos. Leia também Número de pedidos de recuperação judicial cresce 147% no agro Segundo decisão publicada na 2ª Vara Cível e Empresarial de Paragominas do Tribunal de Justiça do Estado do Pará na época, após a captação de recursos via CRA para que a empresa pudesse financiar o plantio da safra 2022/23 de cerca de 250 produtores rurais da região de Paragominas, a queda nos preços dos grãos causou um elevado nível de inadimplência. Além disso, o Portal Agro relatou que, durante a colheita da safra 2023/24, houve períodos de chuva em quantidade maior do que o esperado, o que provocou prejuízos à empresa, uma vez que as lavouras não foram colhidas. "Além das perdas nas lavouras, houve prejuízos no processo de secagem devido às filas, perda de peso nos silos e desvalorização dos grãos por não atenderem aos critérios mínimos de qualidade para exportação. Isso teria sido agravado pela queda contínua no preço da soja, resultando em um efeito cascata, em que o plantio caro e a colheita muito mais barata do que o esperado se repetiram", disse o documento.